Vou tentar que o texto não tenha muitos insultos. Prometo.
Adiei até agora estas minhas linhas. Achei que só eu andava chateada com o festim que se tem montado neste meu país. Afinal não. Encontrei um ou dois descrentes nisto de parar um país para receber um homem.
Ah porque é o sucessor de S.Pedro, ah porque é o representante da Igreja Católica. Ah que eu nem vou discutir isso para não nos chatearmos todos aqui e agora.
Porque o senhor é um chefe de Estado. Ok, estamos a falar a minha lingua. Então este senhor que chefia um estado deve estar a par das notícias de que andamos todos com a corda na garganta, que alguns até já resolveram tirá-la da garganta e amarrá-la na zona da cintura porque a bela da calça já não se segura. O senhor chefe de estado sabe bem que nestes três dias vamos penhorar algumas pratas para o presentear.
Que se receba bem quem vem por bem, muito de acordo. Mas que não nos façamos de primeiro mundistas no receber se somos bem menos no sobreviver.
Que a FÉ não se discute eu respeito. Tenho a minha: na Vida, nos Homens e reconheço Jesus Cristo como exemplo a seguir. E porque O respeito parece-me tão pouco apropriado estes dourados dos pratos e o encarnado dos sapatos prada.
E que sorte tenho eu de já não se queimarem bruxas na fogueira.
terça-feira, 11 de maio de 2010
quinta-feira, 15 de abril de 2010
O presépio, ou a história de um menino com imaginação adubada
Antes de contar a pérola da minha cria, peço desculpa: este blog está a tornar-se numa espécie de compilação das gracinhas do pequenito. Mas quem tem a sorte de ter um rapazinho esperto e doce com frases destas tem mesmo que partilhar. Pois então cá vai.
- Mamã, é o presépio.
-Sim. E quem está aí?
- Jesus, Maria, o pai e a vaca.
- E sabes por que comemoramos o Natal?
-São os anos de Jesus.
-E sabes por que se comemoram os anos de Jesus?
-Não.
-Porque ele foi muito importante no tempo dele... (Fui interrompida a meio de uma lição sobre humanismo, fraternidade, solidariedade - até ouço os sininhos e músicas bonitas dentro da minha cabeça)
- Pois é, a Maria quando o tinha na barriga andava muito curiosa para saber se ele ia nascer com 1 ou mais dentes.
Imaginação em constante rebuliço fervilhante do meu pimpolho, acho que isto merece um golinho de água. -Mãe só há uma, e é fresca.
- Mamã, é o presépio.
-Sim. E quem está aí?
- Jesus, Maria, o pai e a vaca.
- E sabes por que comemoramos o Natal?
-São os anos de Jesus.
-E sabes por que se comemoram os anos de Jesus?
-Não.
-Porque ele foi muito importante no tempo dele... (Fui interrompida a meio de uma lição sobre humanismo, fraternidade, solidariedade - até ouço os sininhos e músicas bonitas dentro da minha cabeça)
- Pois é, a Maria quando o tinha na barriga andava muito curiosa para saber se ele ia nascer com 1 ou mais dentes.
Imaginação em constante rebuliço fervilhante do meu pimpolho, acho que isto merece um golinho de água. -Mãe só há uma, e é fresca.
segunda-feira, 12 de abril de 2010
Um caderno com sentimentos
-Mamã, encontrei o meu caderno. Vou escrever. Onde está a caneta?
-Na cozinha, na latinha das canetas. Não faças asneiras.
-Não. Vou escrever muito. Pronto, acho que vou escrever o meu nome.
(Breves minutos depois)
-Jó, onde estás?
-A brincar com os Gormiti.
-E onde está a caneta?
-No meu quarto.
-E o que faz a caneta no teu quarto, se o lugar dela é na lata das canetas que está na cozinha?
-Mamã, a caneta faz companhia ao meu caderno que estava sozinho e triste.
Com um menino que tem respostas mais calóricas do que mil bolas de berlim com creme preciso de uma água. - Mãe, só há uma, e tem gás!
-Na cozinha, na latinha das canetas. Não faças asneiras.
-Não. Vou escrever muito. Pronto, acho que vou escrever o meu nome.
(Breves minutos depois)
-Jó, onde estás?
-A brincar com os Gormiti.
-E onde está a caneta?
-No meu quarto.
-E o que faz a caneta no teu quarto, se o lugar dela é na lata das canetas que está na cozinha?
-Mamã, a caneta faz companhia ao meu caderno que estava sozinho e triste.
Com um menino que tem respostas mais calóricas do que mil bolas de berlim com creme preciso de uma água. - Mãe, só há uma, e tem gás!
sexta-feira, 19 de março de 2010
Não há pai para o meu pai - versão pequeno infante
-Jó, viste o pai do Kevin e do Edson? Era muito alto, não era? (Um senhor com o seu 1,92m)
-Sim, mas o meu pai é maior. O meu pai é enorme! (Um senhor com 1,80)
-Ai sim? Achas que o teu pai é o mais alto e forte de todos?
-Sim, é o maiooor.
-E ele protege-te e defende-te? (momento psicologia barata para mães babadas)
-Não mamã, o meu papá não é bom a guarda-redes. É ...melhor a marcar golos. (Pragmatismo infantil. What else???"
Um golinho de água? Mãe, só há uma, e é fresca!
-Sim, mas o meu pai é maior. O meu pai é enorme! (Um senhor com 1,80)
-Ai sim? Achas que o teu pai é o mais alto e forte de todos?
-Sim, é o maiooor.
-E ele protege-te e defende-te? (momento psicologia barata para mães babadas)
-Não mamã, o meu papá não é bom a guarda-redes. É ...melhor a marcar golos. (Pragmatismo infantil. What else???"
Um golinho de água? Mãe, só há uma, e é fresca!
quinta-feira, 4 de março de 2010
Boa!
A PT doou parte dos lucros das chamadas de valor acrescentado à Caritas. Afinal têm um coraçãozinho de ouro... Era o mínimo, certo???! Muito bem, palmadinhas nas costas de vossas excelências. Espero que o governo venha dizer que também abdica do IVA!
sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010
Contacto imediato de 3º grau com o espelho
Dona Mindinho concebeu-se em pensamentos de cabeça inadaptada a um mundo a preto e branco. Havia de surgir uma criatura que vivesse numa paleta mais completa, de preferência com mais dias em verde-limão do que cinzento-rato.
Aquela mulher adulta que a inventou nunca quis, nas horas de Mindinisse, ser um Peter Pan de unha vermelha e vestido, nem a avózinha meiga que cheira sempre a creme hidratante misturado com bolinho quente. Quis ser mais, não ter idade, ser plena, ou quase.
Dona Mindinho criou-se mesmo antes de nascer. Já conhecia o mundo, o mundo jamais a conheceu.
Escolheu o Dia dos Enganos para surgir. Passou de lado num espelho e sentiu-se corar. Uma paixão nascia dentro do peito. Aquela mulher do outro lado que sorria com deliciosa malícia era mesmo o que ela queria ser. Parecia-se tanto com ela, no entanto era mais firme, mais mulher, mais isto, mais aquilo. Ou talvez não. Aquela mulher só tinha um brilho nos olhos diferente. Conheceu-se assim, reconheceu aquele brilho como sendo o seu de há uns anos. O desmazelo, as derrotas e não conquistas levaram-no e já todos esperavam dela um olhar baço e que atende aos desejos e vontades de todos.
Em segredo, diante daquele espelho meio turvo das lágrimas por se sentir viva, fez nascer Dona Mindinho: uma mulher apaixonada por si e pela vida, nas horas vagas, uma heroína com TPM.
Aquela mulher adulta que a inventou nunca quis, nas horas de Mindinisse, ser um Peter Pan de unha vermelha e vestido, nem a avózinha meiga que cheira sempre a creme hidratante misturado com bolinho quente. Quis ser mais, não ter idade, ser plena, ou quase.
Dona Mindinho criou-se mesmo antes de nascer. Já conhecia o mundo, o mundo jamais a conheceu.
Escolheu o Dia dos Enganos para surgir. Passou de lado num espelho e sentiu-se corar. Uma paixão nascia dentro do peito. Aquela mulher do outro lado que sorria com deliciosa malícia era mesmo o que ela queria ser. Parecia-se tanto com ela, no entanto era mais firme, mais mulher, mais isto, mais aquilo. Ou talvez não. Aquela mulher só tinha um brilho nos olhos diferente. Conheceu-se assim, reconheceu aquele brilho como sendo o seu de há uns anos. O desmazelo, as derrotas e não conquistas levaram-no e já todos esperavam dela um olhar baço e que atende aos desejos e vontades de todos.
Em segredo, diante daquele espelho meio turvo das lágrimas por se sentir viva, fez nascer Dona Mindinho: uma mulher apaixonada por si e pela vida, nas horas vagas, uma heroína com TPM.
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010
Um país que é uma sarabudja?!
Aconteceu uma verdadeira catástrofe na Madeira. Há mortos para enterrar, há vidas inteiras enterradas na lama e escombros.
Nós portugueses somos um povo verdadeiramente solidário com este tipo de causas.
Formas de contribuir para reconstruir a Madeira têm aparecido como cogumelos. E há uma que questiono: um número de valor acrescentado para arrecadar dinheiro.
O que me intriga é o seguinte, e perdoem-me a ignorância:
Se telefonarmos para o dito número, pagamos 60 cêntimos mais IVA, no entanto só 50 cêntimos são encaminhados para o projecto solidário. Pergunto eu: e os outros 10 cêntimos????? E por que razão não prescinde o governo do valor do imposto??
É impressão minha ou, mesmo diante dos nossos olhos e boa vontade, alguém até lucra com esta desgraça? Se isto não é caso para indignação, então com que é que me indigno?
Ah! Já sei, há outra questão que me tem deixado em polvorosa.
No outro dia li numa revista uma crónica de um jornalista que dizia que nunca, em quase 36 anos de liberdade e democracia, o país teve tanta largueza de expressão. Justificou-se dizendo que se escreve o que se quer e que se chamam os bois pelos nomes. Juro que não reconheci naquele artigo o uso da ironia. - e eu costumo ser boa nisso-.
É lógico e muito evidente que não há lápis azul, não há polícia política e o Tarrafal é hoje um maravilhoso destino de férias. As mordaças são outras. Gozam com a nossa sobrevivência, a nossa dignidade, o nosso trabalho.
Este senhor, de quem sequer registei o nome - até porque o que menos interessa é dar-lhe um nome- não vive no meu país democrático e livre onde um desgraçado que trabalha das 8 às 18h tem que guardar dentro de si pensamentos e opiniões para continuar a ter emprego. O mesmo desgraçado não pode ser um pai atento e querer participar na vida quotidiana do filho e acompanhá-lo em consultas de rotina, ficar com ele quando está doente, para não perder o emprego.
Este desgraçado que é um trabalhador por conta de outrem não pode ser uma mulher, em idade fértil e com a ideia romântica de ter filhos, não vá o outrem não gostar destas coisas românticas e fazer da senhora grávida uma estatística dos centros de desemprego, sim, de desemprego!
Neste país que apaga 36 velas de vida em liberdade e democracia o meu filho não pode frequentar o ensino público - que deve ser gratuíto e acessível a todos-, porque os pais e avós quase nunca conseguem cumprir os horários estipulados para fecho das escolas. Deixo-o então todos os dias numa escola privada, onde deixo todos os meses parte do meu salário.
Saímos à rua e libertamos frases de desagrado, de contestação e de frustração, é certo. Frases que não são ouvidas. Somos ignorados. Liberdade de expressão pressupõe um elemento que ouve, retém a informação, responde, discute para chegar a um melhor caminho. Aquele país democrático e livre do senhor que é jornalista não é o meu.
Se não me indigno com isto, indigno-me com o quê?
Ah! Já sei, com tantas coisas, porém já me lateja uma veia na cabeça. O melhor é relaxar porque não tenho nenhum tipo de seguro de assistência médica. Estou entregue aos cuidados do Sistema Nacional de Saúde e isto não é Gripe A, quando muito um principio de AVC, mas isso não é contagioso.
Isto é um país ou só uma verdadeira Sarabudja?
Nós portugueses somos um povo verdadeiramente solidário com este tipo de causas.
Formas de contribuir para reconstruir a Madeira têm aparecido como cogumelos. E há uma que questiono: um número de valor acrescentado para arrecadar dinheiro.
O que me intriga é o seguinte, e perdoem-me a ignorância:
Se telefonarmos para o dito número, pagamos 60 cêntimos mais IVA, no entanto só 50 cêntimos são encaminhados para o projecto solidário. Pergunto eu: e os outros 10 cêntimos????? E por que razão não prescinde o governo do valor do imposto??
É impressão minha ou, mesmo diante dos nossos olhos e boa vontade, alguém até lucra com esta desgraça? Se isto não é caso para indignação, então com que é que me indigno?
Ah! Já sei, há outra questão que me tem deixado em polvorosa.
No outro dia li numa revista uma crónica de um jornalista que dizia que nunca, em quase 36 anos de liberdade e democracia, o país teve tanta largueza de expressão. Justificou-se dizendo que se escreve o que se quer e que se chamam os bois pelos nomes. Juro que não reconheci naquele artigo o uso da ironia. - e eu costumo ser boa nisso-.
É lógico e muito evidente que não há lápis azul, não há polícia política e o Tarrafal é hoje um maravilhoso destino de férias. As mordaças são outras. Gozam com a nossa sobrevivência, a nossa dignidade, o nosso trabalho.
Este senhor, de quem sequer registei o nome - até porque o que menos interessa é dar-lhe um nome- não vive no meu país democrático e livre onde um desgraçado que trabalha das 8 às 18h tem que guardar dentro de si pensamentos e opiniões para continuar a ter emprego. O mesmo desgraçado não pode ser um pai atento e querer participar na vida quotidiana do filho e acompanhá-lo em consultas de rotina, ficar com ele quando está doente, para não perder o emprego.
Este desgraçado que é um trabalhador por conta de outrem não pode ser uma mulher, em idade fértil e com a ideia romântica de ter filhos, não vá o outrem não gostar destas coisas românticas e fazer da senhora grávida uma estatística dos centros de desemprego, sim, de desemprego!
Neste país que apaga 36 velas de vida em liberdade e democracia o meu filho não pode frequentar o ensino público - que deve ser gratuíto e acessível a todos-, porque os pais e avós quase nunca conseguem cumprir os horários estipulados para fecho das escolas. Deixo-o então todos os dias numa escola privada, onde deixo todos os meses parte do meu salário.
Saímos à rua e libertamos frases de desagrado, de contestação e de frustração, é certo. Frases que não são ouvidas. Somos ignorados. Liberdade de expressão pressupõe um elemento que ouve, retém a informação, responde, discute para chegar a um melhor caminho. Aquele país democrático e livre do senhor que é jornalista não é o meu.
Se não me indigno com isto, indigno-me com o quê?
Ah! Já sei, com tantas coisas, porém já me lateja uma veia na cabeça. O melhor é relaxar porque não tenho nenhum tipo de seguro de assistência médica. Estou entregue aos cuidados do Sistema Nacional de Saúde e isto não é Gripe A, quando muito um principio de AVC, mas isso não é contagioso.
Isto é um país ou só uma verdadeira Sarabudja?
quarta-feira, 20 de janeiro de 2010
Para esta primeira meia dúzia de anos juntos
Sucedeu assim
Composição: Antonio Carlos Jobim / Marino Pinto
Assim,
Começou assim
Uma coisa sem graça
Coisa boba que passa
Que ninguém percebeu
Assim,
Depois ficou assim
Quis fazer um carinho,
Receber um carinho,
E você percebeu
Fez-se uma pausa no tempo
Cessou todo meu pensamento
E como acontece uma flor
Também acontece o amor
Assim,
Sucedeu assim,
E foi tão de repente
Que a cabeça da gente
Vira só coração
Não poderia supor
Que o amor nos pudesse prender,
Abriu-se em meu peito um vulcão
E nasceu a paixão.
Composição: Antonio Carlos Jobim / Marino Pinto
Assim,
Começou assim
Uma coisa sem graça
Coisa boba que passa
Que ninguém percebeu
Assim,
Depois ficou assim
Quis fazer um carinho,
Receber um carinho,
E você percebeu
Fez-se uma pausa no tempo
Cessou todo meu pensamento
E como acontece uma flor
Também acontece o amor
Assim,
Sucedeu assim,
E foi tão de repente
Que a cabeça da gente
Vira só coração
Não poderia supor
Que o amor nos pudesse prender,
Abriu-se em meu peito um vulcão
E nasceu a paixão.
segunda-feira, 18 de janeiro de 2010
Dona Mindinho
Quando se deu o acontecimento, a vila não estava preparada para o que se seguiu. Os dias cinzentos não podiam continuar iguais após a curiosa descoberta.
Dona Mindinho desvivera. Esta desistência não é estranha em si, mas por si.
Senhora com mais de 90 anos e desistira agora? Algo sinistro se passou.
Dona Mindinho fora registada e até baptizada com nome de pessoa. Viveu apessoada até aos 31 anos, idade em que resolveu baptizar-se na banheira de hidromassagem da casa onde vivia.
Porque escolheu ser Mindinho, Dona Mindinho nunca ninguém soube. Na verdade, nunca ninguém soube que se reregistara. Acreditavam que nem sempre respondia pelo nome que o pai lhe dera por surdez, coisa que vinha dos tempos de infância.
Um dia entre soluços de grande tristeza decidiu afogar o seu nome junto com a sua história.
Não escolheu levar para essa vida além vida, porém levou-os também. Os seus olhos castanhos de auréola cinzenta. No entanto reformulou a capacidade de ver.
Mudou as roupas, levantou as pestanas, que lhe turvavam a vista, escolheu novo penteado.
Assim nasceu Mindinho, Dona Mindinho - faça o favor.
Dona Mindinho desvivera. Esta desistência não é estranha em si, mas por si.
Senhora com mais de 90 anos e desistira agora? Algo sinistro se passou.
Dona Mindinho fora registada e até baptizada com nome de pessoa. Viveu apessoada até aos 31 anos, idade em que resolveu baptizar-se na banheira de hidromassagem da casa onde vivia.
Porque escolheu ser Mindinho, Dona Mindinho nunca ninguém soube. Na verdade, nunca ninguém soube que se reregistara. Acreditavam que nem sempre respondia pelo nome que o pai lhe dera por surdez, coisa que vinha dos tempos de infância.
Um dia entre soluços de grande tristeza decidiu afogar o seu nome junto com a sua história.
Não escolheu levar para essa vida além vida, porém levou-os também. Os seus olhos castanhos de auréola cinzenta. No entanto reformulou a capacidade de ver.
Mudou as roupas, levantou as pestanas, que lhe turvavam a vista, escolheu novo penteado.
Assim nasceu Mindinho, Dona Mindinho - faça o favor.
sábado, 9 de janeiro de 2010
1º de 2010
"Sonhar é acordar-se para dentro."
Mário Quintana
Sopros de que possas sentir-te acordado por dentro muitos dias deste ano, muitos dias nesta vida.
Fecha o livro. Guarda na memória o que deve ser guardado. O que achares que não te ensina, esquece para teres espaço para melhores coisas.
É incrivelmente óbvio, quase ridículo,mas garanto-te que tens rugas na testa porque te esqueces disto.
Mário Quintana
Sopros de que possas sentir-te acordado por dentro muitos dias deste ano, muitos dias nesta vida.
Fecha o livro. Guarda na memória o que deve ser guardado. O que achares que não te ensina, esquece para teres espaço para melhores coisas.
É incrivelmente óbvio, quase ridículo,mas garanto-te que tens rugas na testa porque te esqueces disto.
sexta-feira, 11 de dezembro de 2009
Promessas de fim de ano
Ontem olhei para ti como há muito não fazia. E sabes, cresceste aos meus olhos. Ouvi-te contar as tuas aventuras de menino e surpreendi-me com o que já és capaz de contar, com o brilho dos olhos que tens, e como tenho corrido das coisas boas da vida à procura de nem sei bem o quê.
Acho que esse brilho dos teus olhos fez um pequeno milagre: acordou-me deste entorpecimento que a ânsia de ter mais provoca na sabedoria de querer Ser melhor.
Tenho muita sorte, oh meu pequeno querubim de caracóis cor-de-chá! Sorte de te ter por perto, de me puxares para perto, de quebrares os meus silêncios com a tua maravilhosa e sonora presença.
Ontem quando já dormias, cheirei-te e passei as mãos na tua pele macia, mais do que veludo. Medi o teu tamanho, cobri-te deste outono que mais parece inverno, e cheirei-te, como só a ti o sei fazer, e com a certeza que o meu coração se aquece com o teu cheiro.
Agora que os crescidos todos fazem promessas para o novo ano, anunciam medidas drásticas para a sua vida, eu resolvi manter-me assim, como fui capaz de me manter ontem enquanto te ouvia e depois, quando te fui espreitar no sono: quero estar perto, capaz de me surpreender, mas também capaz de ter a certeza do que posso encontrar. Isso só faço se estiver perto, suficientemente perto para não me perder com os "nem sei bem quês da vida".
Acho que esse brilho dos teus olhos fez um pequeno milagre: acordou-me deste entorpecimento que a ânsia de ter mais provoca na sabedoria de querer Ser melhor.
Tenho muita sorte, oh meu pequeno querubim de caracóis cor-de-chá! Sorte de te ter por perto, de me puxares para perto, de quebrares os meus silêncios com a tua maravilhosa e sonora presença.
Ontem quando já dormias, cheirei-te e passei as mãos na tua pele macia, mais do que veludo. Medi o teu tamanho, cobri-te deste outono que mais parece inverno, e cheirei-te, como só a ti o sei fazer, e com a certeza que o meu coração se aquece com o teu cheiro.
Agora que os crescidos todos fazem promessas para o novo ano, anunciam medidas drásticas para a sua vida, eu resolvi manter-me assim, como fui capaz de me manter ontem enquanto te ouvia e depois, quando te fui espreitar no sono: quero estar perto, capaz de me surpreender, mas também capaz de ter a certeza do que posso encontrar. Isso só faço se estiver perto, suficientemente perto para não me perder com os "nem sei bem quês da vida".
terça-feira, 3 de novembro de 2009
Porque sim!!!
-Queres ser feliz comigo?
-Sim. Porquê?
-Porque sim!
E dormiram. Ela no abraço dele, e ele abraçado a ela.
Talvez seja isto o amor: Estes abraços que nem sempre se entrelaçam.
Gosto destes sentimentos mais quietos. Com toda a certeza serão menos vibrantes, vorazes e bem menos dolorosamente saborosos, mas, e ao contrário da grande poeta, eu gosto de amar encontradamente. De poder dormir o sono embalado por despreocupações quotidianas.
Não aprecio dias baços, porém suporto ver um dia cinzento na minha varanda se eu viver o Verão. Isso talvez seja o amor. Esse Verão quente, dias de mar calmo e cheio de gente, isso só se pode chamar amor. Porque é para todos. E a Vida não ia inventar uma coisa boa e distribui-la só por meia dúzia de jeitosos.
Ela quer ser feliz com ele, mesmo que seja só porque sim. Isto só pode ser amor.
-Sim. Porquê?
-Porque sim!
E dormiram. Ela no abraço dele, e ele abraçado a ela.
Talvez seja isto o amor: Estes abraços que nem sempre se entrelaçam.
Gosto destes sentimentos mais quietos. Com toda a certeza serão menos vibrantes, vorazes e bem menos dolorosamente saborosos, mas, e ao contrário da grande poeta, eu gosto de amar encontradamente. De poder dormir o sono embalado por despreocupações quotidianas.
Não aprecio dias baços, porém suporto ver um dia cinzento na minha varanda se eu viver o Verão. Isso talvez seja o amor. Esse Verão quente, dias de mar calmo e cheio de gente, isso só se pode chamar amor. Porque é para todos. E a Vida não ia inventar uma coisa boa e distribui-la só por meia dúzia de jeitosos.
Ela quer ser feliz com ele, mesmo que seja só porque sim. Isto só pode ser amor.
Para as minhas ideias
As minhas ideias ficam sempre pela metade, pela pressa de as entregar ao mundo, pela comichão que me provocam enquanto me impacientam o juízo.
Apaixono-me por elas, sofro por as sentir latejar, sofro por não as medrar e regozijo-me por as
criar, melhorar, poder guardar ou mostrar, depois solto-as, atiro-as ao mundo e esqueço-me delas.
As ideias espevitam-me, não me sossegam o cansaço, fadigam-me os pensamentos e flamejam o meu sistema acordatório.
Este blog está cheio do que poderiam ser boas ideias, no entanto esta precocidade na entrega diminui o seu brilho.
Não tenho sido grande, muito menos inteira. Mas nem por isso deixo de ser autêntica. Porque esta urgência de fazer vir ao mundo o que penso é muito minha, é como uma deformação congénita, diagnosticada e em tratamento quase constante.
A todas as ideias que lanço sem as mais cuidar: o meu sincero pedido de desculpa. Sois filhas de uma cabeça que se aligeira em parir-vos. Uma ou outra vez passei por vós noutras bocas, noutras folhas, ouvi sobre vós rasgados elogios, mas com os nomes de pródigas pessoas que muito generosamente vos adoptam como sendo suas. Se vos arremesso sem vos perfilhar, outro tomará conta de vós. C'est la vie!
Apaixono-me por elas, sofro por as sentir latejar, sofro por não as medrar e regozijo-me por as
criar, melhorar, poder guardar ou mostrar, depois solto-as, atiro-as ao mundo e esqueço-me delas.
As ideias espevitam-me, não me sossegam o cansaço, fadigam-me os pensamentos e flamejam o meu sistema acordatório.
Este blog está cheio do que poderiam ser boas ideias, no entanto esta precocidade na entrega diminui o seu brilho.
Não tenho sido grande, muito menos inteira. Mas nem por isso deixo de ser autêntica. Porque esta urgência de fazer vir ao mundo o que penso é muito minha, é como uma deformação congénita, diagnosticada e em tratamento quase constante.
A todas as ideias que lanço sem as mais cuidar: o meu sincero pedido de desculpa. Sois filhas de uma cabeça que se aligeira em parir-vos. Uma ou outra vez passei por vós noutras bocas, noutras folhas, ouvi sobre vós rasgados elogios, mas com os nomes de pródigas pessoas que muito generosamente vos adoptam como sendo suas. Se vos arremesso sem vos perfilhar, outro tomará conta de vós. C'est la vie!
sexta-feira, 2 de outubro de 2009
Esta loucura só pode ter uma boa razão
sexta-feira, 25 de setembro de 2009
Meus lindos olhos
Anos antes de conhecer o menino que morou na minha barriga já ouvia esta música. Ouvi-a incontáveis vezes. Hoje voou pelos meus pensamentos.
Sempre gostei muito de pessoas. Sempre estive atenta aos olhos delas.
Sabia que um dia chegaria à minha vida uma criaturinha com os olhos capazes de mover o mundo. O meu, pelo menos.
Há estranhas certezas que se cumprem.
Meus lindos olhos, qual pequeno deus
Pois são divinos, de tão belos os teus.
Quem, tos pintou com tal feição
Jamais neles sonhou criar tanta imensidão.
De oiro celeste,
Filhos de uma chama agreste
Astros que alto o céu revestem
E onde a tua história é escrita.
Meus lindos olhos, de lua cheia
Um esquecido do outro, a brilhar p´rá rua inteira.
Quem não conhece o teu triste fado
Não desvenda em teu riso um chorar tão magoado.
Perdões perdidos
Num murmúrio desolado
Quando o réu morava ao lado
Mais cruel não pode ser.
Este fado que aqui canto
Inspirou-se só em ti
Tu que nasces e renasces
Sempre que algo morre em ti.
Quem me dera poder cantar
Horas, dias, tão sem fim
Quando pedes só pra mim
Por favor só mais um fado.
Mafalda Arnauth
sexta-feira, 11 de setembro de 2009
Caturrices
-Eu não quero ir embora! Eu quero ficar aqui! Eu quero o meu papá! Eu não quero ir contigo!!!!!
...
(O meu cérebro vai aparafusar estas frases e volta já.)
O quê???? Vossa excelência estará porventura a ousar embirrar neste centro comercial?? Isto merece uma resposta típica da mamã. -Não de qualquer mamã.- Esta cena não pode ficar assim, sem humor, nem amor.
-Pois meu caro, eu estou cheia vontade de ir embora! Se gostas tanto de cá estar por que é que não arranjas um emprego cá?! Eu também quero ir ter com o papá, se te despachares, vamos vê-lo já, já! E, para ser sincera, hoje também não me apetecia ter que levar um menino com birra comigo, mas como ainda não sabes qual é o autocarro que se apanha, eu faço esse favor!!!
(Agora precisava de um balãozinho de pensamento da banda desenhada )
...- Não sei se rio, não sei se continuo a fazer esta birra-de-fim-de-dia-que-me-parece-ser-libertadora-de-más-energias-e-frustrações-acumuladas-na-escola. Oh, vou continuar o birredo (neologismo que traduz: uma birra que mete medo). Ups! Os senhores da segurança estão a passar, vou calar-me, bem caladinho.
-Senhor segurança, acho que devia observar este menino, é muito parecido com o meu, é giro e tudo, contudo este vem com defeito: faz muito barulho.
-Eu sou filho dela, eu sou o filho dela! (mais ranho, mais lágrimas, corrida para as pernas da mãe.)
A epopeia arrastou-se por alguns minutos. Deixei-o expressar a frustração de não prolongar a brincadeira. Mas não me esqueci que o meu adorado menino nem sempre pode fazer o que lhe dá na real gana.
Fungadelas no meu colo. Mimo nos caracois suaves. Banho morno com a bicharada aquática.
Está de volta a risota!
Ouvi alguém dizer: paciência de mãe é como pasta de dentes: sempre há mais um bocadinho.
...
(O meu cérebro vai aparafusar estas frases e volta já.)
O quê???? Vossa excelência estará porventura a ousar embirrar neste centro comercial?? Isto merece uma resposta típica da mamã. -Não de qualquer mamã.- Esta cena não pode ficar assim, sem humor, nem amor.
-Pois meu caro, eu estou cheia vontade de ir embora! Se gostas tanto de cá estar por que é que não arranjas um emprego cá?! Eu também quero ir ter com o papá, se te despachares, vamos vê-lo já, já! E, para ser sincera, hoje também não me apetecia ter que levar um menino com birra comigo, mas como ainda não sabes qual é o autocarro que se apanha, eu faço esse favor!!!
(Agora precisava de um balãozinho de pensamento da banda desenhada )
...- Não sei se rio, não sei se continuo a fazer esta birra-de-fim-de-dia-que-me-parece-ser-libertadora-de-más-energias-e-frustrações-acumuladas-na-escola. Oh, vou continuar o birredo (neologismo que traduz: uma birra que mete medo). Ups! Os senhores da segurança estão a passar, vou calar-me, bem caladinho.
-Senhor segurança, acho que devia observar este menino, é muito parecido com o meu, é giro e tudo, contudo este vem com defeito: faz muito barulho.
-Eu sou filho dela, eu sou o filho dela! (mais ranho, mais lágrimas, corrida para as pernas da mãe.)
A epopeia arrastou-se por alguns minutos. Deixei-o expressar a frustração de não prolongar a brincadeira. Mas não me esqueci que o meu adorado menino nem sempre pode fazer o que lhe dá na real gana.
Fungadelas no meu colo. Mimo nos caracois suaves. Banho morno com a bicharada aquática.
Está de volta a risota!
Ouvi alguém dizer: paciência de mãe é como pasta de dentes: sempre há mais um bocadinho.
terça-feira, 8 de setembro de 2009
Pseudo pessoas
"Frases felizes... Frases encantadas...
Ó festa dos ouvidos!
Sempre há tolices muito bem ornadas...
Como há pacovios bem vestidos."
Mário Quintana; Espelho Mágico, 1945
Intelectualoides que entregam os seus dias ao estudo aprofundado de tudo e mais alguma coisa, fazedores de teses sobre os mais variados temas e os esmiuçadores de pormenores têm em mim uma inimiga.
O que fazer com tanto palavreado de difícil entendimento??? Por que carga de água tudo tem que ser visto à lupa cientifica de meia dúzia de entendidos? Aiiiii...
Já alguém deu conta que relações humanas deviam fluir espontaneamente? Que dissecar um poema é tirar-lhe brilho? Que enormes palavras encontram sinónimos noutras com muito menos letras?
Inseguranças escondem-se em "sentenças repletas de vocábulos de elevada complexidade".
Ando a maturar nisto há uns dias, desde que li uns textos de uns cidadãos que andam nos bicos dos pés, todos contentes porque estruturam verdadeiras pérolas gramaticais. Fazem-no para uma restrita minoria. Dizem-se o futuro das nações mas vivem em castelos insuflados a comentários que repelem o comum cidadão.
É preciso saber Ser mais no todo.
Ó festa dos ouvidos!
Sempre há tolices muito bem ornadas...
Como há pacovios bem vestidos."
Mário Quintana; Espelho Mágico, 1945
Intelectualoides que entregam os seus dias ao estudo aprofundado de tudo e mais alguma coisa, fazedores de teses sobre os mais variados temas e os esmiuçadores de pormenores têm em mim uma inimiga.
O que fazer com tanto palavreado de difícil entendimento??? Por que carga de água tudo tem que ser visto à lupa cientifica de meia dúzia de entendidos? Aiiiii...
Já alguém deu conta que relações humanas deviam fluir espontaneamente? Que dissecar um poema é tirar-lhe brilho? Que enormes palavras encontram sinónimos noutras com muito menos letras?
Inseguranças escondem-se em "sentenças repletas de vocábulos de elevada complexidade".
Ando a maturar nisto há uns dias, desde que li uns textos de uns cidadãos que andam nos bicos dos pés, todos contentes porque estruturam verdadeiras pérolas gramaticais. Fazem-no para uma restrita minoria. Dizem-se o futuro das nações mas vivem em castelos insuflados a comentários que repelem o comum cidadão.
É preciso saber Ser mais no todo.
quarta-feira, 2 de setembro de 2009
Pa odju pretu di nha mininu
quarta-feira, 5 de agosto de 2009
Às Marias de óculos de sol e dor na alma
Se lhe dessem uma faca bem amolada e ele a espetasse na minha carne, doer-me-ia bem menos.
Não basta ignorar durante dias a fio, cozinhando em lume brando esta infelicidade. Há que apedrejar com palavras duras o meu esforço natural de querer ser feliz.
Acho que chorei mares de tristezas guardadas, tentei colar com cuspo o meu coração partido, gritei soluções, esperei que as promessas não fossem de campanha.
Já outras vezes vi estes filmes. Outras vezes achei que depois as noticias contam coisas bem piores que estas dores de alma.
Continuo sempre ali. Ali fico aninhada à espera de um fim. Um fim do nó na garganta e dor no meu bem me querer.
Raramente me fala. Raramente me grita. Os dias passam em silêncio. Os dias adormecem em silêncio, e o silêncio profundo os acorda.
Sussurra-me defeitos. Atirá-los delicadamente ao meu espelho é bem mais prazeroso do que publicá-los em jornais de amigos e conhecidos.
Puxo conversa. Abro sorrisos. Falo de coisas que têm que ser resolvidas. Mostro o cansaço de resolver tudo. Fica tudo por resolver. Continua tudo para eu resolver!
Um dia resolvo ser mais resolvida, como se diz por aí. Digo isto há tantos dias, resolvo dias e não resolvo isto.
Dou-lhe a faca. Amolo-a. Há-de doer bem menos.
Deixem-no cravar fundo a carne, deixem que talvez isso me desperte, me mate menos do que esta certeza com que ele me engana.
A carne cicatriza, com certeza.
Dentro tenho pouco: espécie de chaga, lâmpada com pó.
Resolvo dias e não resolvo isto. Amolo a faca. Deixo-a na janela, se o vento a não levar há-de doer-lhe bem fundo!
Não basta ignorar durante dias a fio, cozinhando em lume brando esta infelicidade. Há que apedrejar com palavras duras o meu esforço natural de querer ser feliz.
Acho que chorei mares de tristezas guardadas, tentei colar com cuspo o meu coração partido, gritei soluções, esperei que as promessas não fossem de campanha.
Já outras vezes vi estes filmes. Outras vezes achei que depois as noticias contam coisas bem piores que estas dores de alma.
Continuo sempre ali. Ali fico aninhada à espera de um fim. Um fim do nó na garganta e dor no meu bem me querer.
Raramente me fala. Raramente me grita. Os dias passam em silêncio. Os dias adormecem em silêncio, e o silêncio profundo os acorda.
Sussurra-me defeitos. Atirá-los delicadamente ao meu espelho é bem mais prazeroso do que publicá-los em jornais de amigos e conhecidos.
Puxo conversa. Abro sorrisos. Falo de coisas que têm que ser resolvidas. Mostro o cansaço de resolver tudo. Fica tudo por resolver. Continua tudo para eu resolver!
Um dia resolvo ser mais resolvida, como se diz por aí. Digo isto há tantos dias, resolvo dias e não resolvo isto.
Dou-lhe a faca. Amolo-a. Há-de doer bem menos.
Deixem-no cravar fundo a carne, deixem que talvez isso me desperte, me mate menos do que esta certeza com que ele me engana.
A carne cicatriza, com certeza.
Dentro tenho pouco: espécie de chaga, lâmpada com pó.
Resolvo dias e não resolvo isto. Amolo a faca. Deixo-a na janela, se o vento a não levar há-de doer-lhe bem fundo!
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