Colaram os ponteiros daquele relógio. O calendário tem só uma folha. Os dias correm sem correr, cansam-se ao nascer.
Os olhos não se olham, mesmo quando as bocas se beijam. Colaram os ponteiros daquele relógio e não há hora de sair ou entrar, é sempre hora de ficar. Os dias cansam-se ao acender.
O bule fumega na varanda fria. O vento esqueceu-se de aquecer. É hora de ficar, mesmo para quem já resolveu correr.
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segunda-feira, 27 de setembro de 2010
terça-feira, 31 de agosto de 2010
Coisas da vida
Os dias passavam e as não palavras reafirmavam a paixão.
Ela lambeu-lhe feridas que não fez, ele sorriu vida quando voltou a viver. Ela abraçava-o, e ele, bem ele ficava seguro e sereno na grandeza dos braços pequenos com que era envolvido. Ela não quis gostar dele, ele quis muito gostar dela. Ela acabou rendida a um mundo em obras, ele construía um mundo novo com ela (no horizonte).
As não palavras juntaram-se e uma noite, na frenética confusão da multidão, entre suores de outros corpos, entre músicas de outras vidas, ele ajoelhou-se aos pés dela para a cortejar. Riram muito, deram beijos de filme e apalavraram os sentimentos.
Não viveram juntos e felizes para sempre. Nunca se cansaram, o tédio não tomou conta deles. Há sempre uns alfinetes que furam nuvens.
Ela lambeu-lhe feridas que não fez, ele sorriu vida quando voltou a viver. Ela abraçava-o, e ele, bem ele ficava seguro e sereno na grandeza dos braços pequenos com que era envolvido. Ela não quis gostar dele, ele quis muito gostar dela. Ela acabou rendida a um mundo em obras, ele construía um mundo novo com ela (no horizonte).
As não palavras juntaram-se e uma noite, na frenética confusão da multidão, entre suores de outros corpos, entre músicas de outras vidas, ele ajoelhou-se aos pés dela para a cortejar. Riram muito, deram beijos de filme e apalavraram os sentimentos.
Não viveram juntos e felizes para sempre. Nunca se cansaram, o tédio não tomou conta deles. Há sempre uns alfinetes que furam nuvens.
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